segunda-feira, 6 de abril de 2009

07/09/2008


Eu não costumo guardar datas. Algumas é que se guardam em mim.
Algumas que invadem uma manhã qualquer de distração, outras que atormentam o sono, outras simplesmente chegam contrariando as palavras e o meu estômago.
As datas nunca significam nada, a menos que me digam algumas verdades, contem alguma história (in)feliz, marquem algum acontecimento que a memória se recusa a jogar fora...
Eu nasci no dia de um desastre nuclear.
Meus pais não devem se lembrar do acidente de Chernobyl em 86, pois estavam ocupados demais com a criatura que nascia com uma hérnia inguinal encravada na virilha esquerda.
Algumas pessoas não sabem que em 02/08/2008 um rapaz de 19 anos, de Charqueada, morreu na hora depois de colidir com a traseira de um caminhão na rodovia Fausto Santomauro, pois estavam ocupadas demais sendo genuinamente felizes para enlouquecer pouco mais de um mês depois.
Eu não sabia que em 07/09/2008 uma garota asmática com flores tatuadas nos ombros se atirava do sexto andar de um edifício em Praga, porque eu estava ocupada demais sendo genuinamente feliz sem conhecer o prefácio da loucura que já se anunciava pouco mais de um mês antes em um lugar onde eu jamais estivera...
Onde eu estava em 02/08/2008?
Quem você era em 07/09/2008?
Quantas pessoas morreram no dia em que eu nascia?
Quais são as datas guardadas no seu corpo?
E quais delas te contam histórias reais?

9 comentários:

Lo. disse...

Sabe, eu guardo datas. Adoro datas, números e eu fico sempre procurando algum sentido neles, fazendo somas com as datas, dando significado pra tudo.
A minha memória não é tão boa pra me responder essas perguntas, mas é legal que elas sejam feitas.

:)

Poeta Mauro Rocha disse...

srsrsrsrr, essa história de guardar datas só serve para criar problemas para os homens,rssrsrsr.Seu texto está ótimo.

Um aboa páscoa.

Toni Rabelo disse...

Eu não guardo data nenhuma.
Graças ao Orkut meus amigos pararam de me odiar por não lembrar os aniversários! rs

Agora, esse post me deixou inquieto.
Quando bati o olho nas datas que você apontou (agosto e setembro de 2008) sem precisar me esforçar muito, relembrei quase que na íntegra a tristeza daquela época.
Achei curioso, geralmente sou muito ruim pra datas...

Aí fiquei aqui pensando se isso não é uma artimanha incosciente pra fazer a gente seguir menos marcado.
Sei lá.
Fiquei intrigado... rs

Beijo.

Toni Rabelo disse...

*inconsciente...

Zé, de sobrenome Forner. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Zé, de sobrenome Forner. disse...

Confesso: entrei para retribuir o comentário no meu blog.

Adoro ser surpreendido.

Pelos teus escritos, sua alma deve ser tão bonita...
Que bom que nos encontramos! Estava sedento de alma boa.

Tá, pode ser exagero.
Que seja exagero, então!

Bjo.

Poeta Mauro Rocha disse...

Passei para desejar uma Feliz Páscoa!!

THIAGO BORGES disse...

oi Ana Paula. Vi seu comentário no meu blog e agradeço muito a ajuda aê. Já delimitamos bem o nosso tema, mas ainda estamos à caça de material teórico para fundamentação. Valeu mesmo pelas dicas!!! Estamos em trabalho de parto... hehehe...

E parabéns pelo texto. Eu, ao contrário de você, não costumo guardar datas. Mas guardo bem os acontecimentos...

bjaum

THIAGO BORGES disse...

ah, detalhe: 02/08 é meu aniversário.