quarta-feira, 18 de novembro de 2009

O pão nosso de cada dia


O milagre da MULTIplicação. Sete pães para irmãos que se multiplicam no milagre da aprendizagem. Na campanha da salvação... Sete pães que apodrecem nas repartições públicas. Nos cofres da Nação... Pães de hipocrisia, de afastamento, de negação. O trigo da autocracia burguesa, do ranço paternalista, da garçonete soberba... Da segregação. Pães de política suja, de mediocridades provincianas, de interesses avessos... De exploração. O pão do trabalhador alienado, do usuário esfaimado, do profissional robotizado... O pão da dominação.
A fome da equipe MULTI não se mata com este pão.
A equipe multi come e vomita indignação. Com seus jalecos de fuxico, seus pontos de dor, jamanta, sono e este verão... A equipe multi mastiga o pão amargo da resignação. Enquanto sonha com o milagre da multiplicação. Do trigo da liberdade. Do pão da expressão. Que sacia a tal fome de democratização. Da MULTIplicação do pão e da palavra...
No milagre da insurreição.

6 comentários:

Regiane disse...

pois é, exatamente isso....tem coisas q não tem bolsa q pague...e ainda bem q vc consegue escrever isso.

Adriano Fagundes disse...

RSRSRS... gente muito bom!!!! mas a bolsa paga o pão pelo menos isso neh, senão além da falta da liberdade nao teriamos pães!!! rsrsrs

Dani Santos disse...

Putttttzzz!!! Ana, só vc mesmo pra conseguir expressar tudo isso q fica engasgado, enroscado na garganta... Me lembrei da musica do Chico, Deus lhe pague... Só muda o começo, nem esse pão pra comer...

Deus lhe pague


Composição: Chico Buarque

Por esse pão pra comer, por esse chão pra dormir
A certidão pra nascer, e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir
Deus lhe pague

Pelo prazer de chorar e pelo "estamos aí"
Pela piada no bar e o futebol pra aplaudir
Um crime pra comentar e um samba pra distrair
Deus lhe pague

Por essa praia, essa saia, pelas mulheres daqui
O amor malfeito depressa, fazer a barba e partir
Pelo domingo que é lindo, novela, missa e gibi
Deus lhe pague

Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça, desgraça, que a gente tem que tossir
Pelos andaimes, pingentes, que a gente tem que cair
Deus lhe pague

Por mais um dia, agonia, pra suportar e assistir
Pelo rangido dos dentes, pela cidade a zunir
E pelo grito demente que nos ajuda a fugir
Deus lhe pague

Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir
E pelas moscas-bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir
Deus lhe pague

Inugami disse...

O que vossa senhoria está esperando pra escrever um livro?
Um pouco mais de volume no blog? =D

Tiro o chapéu ao ler cada post daqui.

Bjo bjo
Saudades dos papos da van.

mulatalinda31 disse...

Concordo com a Regi e a Dani, só vc msm pra conseguir expressar com poesia, a mediocridade e hipocrisia de alguns.

Desmanche de Celebridades disse...

Perfeito!

Aplausos para vc!
O Desmanche também é um blog bem crítico. Aparece lá pra discutirmos as idéias.

Abraços.
Seguindo-te.